Sábado, Janeiro 10, 2009

fechado para balanço

Domingo, Janeiro 04, 2009

o vaticano é um desastre ambiental

O jornal do Vaticano, o L´Osservatore Romano, afirmou hoje que a pílula anticoncepcional feminina tem consequências devastadoras para o ambiente e é uma das causas da infertilidade masculina. (via Diário Ateísta)

O Vaticano transformou-se no Greenpeace das causas anti-escolha. Primeiro, foram as pessoas homo e trans que eram uma ameaça à ecologia do Homem (curioso, como esta figura do homem com H grande está sempre sob ameaça e em perigo...), agora é a pílula que conspurca o ambiente.

O plano é objectivamente classificar como ameaça ao ambiente tudo o que tenha que ver com a auto-determinação das pessoas de viverem a sua vida como entendam. Trata-se claramente de uma estratégia que consiste em usar uma nova linguagem para reiterar velhas preocupações do Vaticano, ie, tudo o que vá contra a ordem patriarcal heterossexista é uma ameaça ao ambiente. É rísivel, mas terá efeitos. Lembram-se do tempo que demorámos a resolver a questão do aborto? Há países onde a pílula é proibida (Filipinas, por exemplo). Ganham um argumento para manter a proibição.

Terça-feira, Dezembro 30, 2008

Problemas de género

Mandei esta carta para o Público sobre uma reportagem publicada lá. Como ainda não apareceu resolvi pô-la aqui.

Problemas de género


No âmbito da reportagem dedicada às declarações de Bento XVI sobre as teorias do género, a homossexualidade e a transexualidade (publicada a 24 de Dezembro), não pude deixar de me indignar com a displicência do tratamento jornalístico de uma área científica, que existe desde os anos 50 do século XX e que se encontra em franco desenvolvimento do ponto de vista da investigação e intervenção. Os estudos de género fazem hoje parte do património das ciências sociais e introduziram importantes conceitos e rupturas paradigmáticas que não são devidamente referidas na reportagem.
As teorias do género não surgem nos anos 70 (surgem em 1948, com as pesquisas contestáveis de John Money sobre intersexos), nem se iniciam historicamente ligadas à teoria feminista (começam na psiquiatria e na psicologia). Apesar de encontrarem grande desenvolvimento a partir da apropriação que autoras feministas fazem do conceito, ligando-o às propostas que permitem desconstruir a afirmação tonitruante de Bento XVI de que o plano biológico determina a identidade humana. Esta afirmação releva de um enorme desconhecimento das propostas da própria biologia, nomeadamente das teorias assentes na interacção entre factores biológicos e factores culturais, como mostram autoras como Anne Fausto-Sterling.
A reportagem ao não desconstruir estes conceitos permite mais uma vez a legitimação das opiniões de um líder religioso, chefe de uma hierarquia eclesiástica inteiramente constituída por homens. Torna-se evidente igualmente o profundo desrespeito pelas pessoas não heterossexuais e pelas pessoas transexuais, que são visadas neste texto e que são assim tratadas como seres menores e ameaças a uma ordem social. É esquecido tanto nas declarações de Bento XVI, como na reportagem, que se a homossexualidade é socialmente construída, também a heterossexualidade o é. E essa insuficiência explicativa demonstra o objectivo destas declarações insuficientemente contestadas: trata-se de legitimar a homofobia e heterossexismo dominante, permitindo a opressão das pessoas que vivem a sua sexualidade no quadro dos direitos à auto-determinação, que lhes foram atribuídos pela democracia.
Igualmente é perturbador o silêncio de quem é visado/a nestas declarações, optando o jornalista por recorrer a declarações de organizações internacionais, sem dar voz a quem em Portugal, conteste estas afirmações.
É grave que no século XXI, o Vaticano não apoie a proposta francesa da descriminalização universal da homossexualidade na ONU, em declarações de 1 de Dezembro deste ano. É grave que tal não seja mencionado nesta reportagem (o que é dito é aliás contraditório em relação a esta posição oficial em sede própria), pois estas declarações são importantes para entender que a base para tal recusa que o Vaticano faz da luta pelos direitos humanos de todas e todos reside no puro preconceito e na afirmação de que algumas pessoas são menos humanas que outras.

João Manuel de Oliveira
Investigador em Estudos de Género e Teoria Feminista no Centro de Investigação e de Intervenção Social do ISCTE.

Sábado, Dezembro 27, 2008

People who think

"Hi, here are some things I am thinking about:
circles of light, the Arctic, witches, mammals, Samoa,
the slavery of addiction and viral late stage capitalism, woman power,
families treasuring their transgendered children,
the United Nations International Panel on Climate Change,
feral intuition and a global new two-spirit alliance,
forests, oxygen, carbon,
patriarchal religions and hierarchies that would rather catalyze apocalypse than admit
that centuries of male domination have almost destroyed us,
a feminist revolution might save our world"

Antony

Terça-feira, Dezembro 23, 2008

"homens de boa vontade"

"Bento XVI criticou abertamente as teorias do género que se impuseram nas ciências sociais na Europa e nos EUA e estabelecem uma diferença entre a pertença a um determinado sexo - a identidade biológica - e o papel que a sociedade atribui aos indivíduos - a forma como cada um vive. Segundo Bento XVI são essas teorias que justificam a homossexualidade e a transexualidade e, assim, afastam os homens da "obra do criador"."

De obras de criadores destes, quer muita gente estar afastada. Trata-se de uma legitimação religiosa do patriarcado homofóbico e de todo o tipo de violências.

Mas, colegas dos estudos de género, se o senhor dos sapatos prada nos critica, estamos on the right track...

Quarta-feira, Dezembro 10, 2008

New Releases

Madame Marianne Faithfull lança um cd de covers com colaborações de Nick Cave, Rufus, Antony, Cat Power et al. Chama-se Easy Come, easy go, e do que ouvi é muito crooner e do bom. E a voz de Marianne Faithfull está e-x-t-r-a-o-r-d-i-n-á-r-i-a neste album, que até tem a Dolly Parton e uma canção dela "Back From Dover". 

Cat Power lançou um EP chamado Dark End of the Street. Que estou ainda a ouvir, mas muito entuasiasmado...

P.S.: acabei e adorei a Cat Power.
P.P.S.: Antes ouvir música do que ligar por um minuto a que seja às tontices deste país finalmente em recessão, aos novos "partidos" cheios de "esperança" e "mérito". Nem vou abrir o Público, nem chatear-me minimamente com isto. Let's pretend we can... actually ignore it! 
P.P.P.S.: E sendo a Laurinda Alves cabeça de lista de um deles, ainda mais! h-e-l-p! ainda me lembro muito bem das aparições dela na campanha do não à escolha das mulheres, bem como da folhinha de couve que rabisca no Público... que até hoje me escapa ao entendimento como é que um jornal dito de referência (eheheheheh come again?) lhe dá espaço para tanto optimismo e tanta obra de caridade. 

Quinta-feira, Dezembro 04, 2008

crimes

A posição da Santa Sé contra a descriminalização universal da homossexualidade não só é imbecil como criminosa. Como a que tem em relação ao uso do preservativo. A mera existência de um Estado chamado Santa Sé é outro crime. Principalmente por irem a instâncias internacionais defender crimes e genocídios. É um embaraço para as democracias e uma vergonha para as instituições que contam com esta gente como membros.

Segunda-feira, Dezembro 01, 2008

os parentes

Apesar de estar fora do país, não me deixo de espantar com os discursos que andam a circular. Desde a Manuela Ferreira Leite fazer a apologia das ditaduras, até ao so-called pretendente ao trono português, que se acha parente espiritual de todas as casas reais, que faz o mesmo no Público de hoje. A parte cómica da história é o senhor achar-se capaz de conter uma grave crise, coisa que "toda a gente" sabe que a democracia não é capaz de fazer.

Domingo, Novembro 30, 2008

intimate strangers


Se alguém passar por Bruxelas, esta semana, está uma programação imperdível no Kaaitheater. Intimate Strangers, um mini-festival programado por Meg Stuart. Recomendadíssimo.

Domingo, Novembro 23, 2008

Brother by The Organ



It's funny, but most of times you don't find anything to say. specially if you just have 3 cigarrettes=little time... and there are people who can use words/music so much better...

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

[sex] toys & us –tecnologias sexuais, tecnologias de género

Sobre a minha comunicação...

Esta comunicação visa mapear uma série de práticas, que se massificaram, fruto de um processo de industrialização do sexo. O uso de objectos para aumentar o prazer sexual é milenar, apesar deste processo de industrialização e de comercialização se ter disseminado a partir da segunda metade do século XX.

Iremos proceder a uma arqueologia destas práticas (Foucault, 1976), enquadrando-as nos processos mais vastos da indústria do sexo e das mudanças na sexualidade a partir do pós-guerra. Metodologicamente, estas práticas serão entendidas a partir de uma dupla lente, feminista e queer (Jagose, 1996), recorrendo às propostas dos conhecimentos situados (Haraway, 1988; Oliveira & Amâncio, 2007) para produzir discurso sobre elas. Estaremos particularmente atentos às configurações históricas e culturais que alteraram as sexualidades “femininas” (se é possível falar de um denominador comum na miríade de diferenças entre as mulheres), focando a nossa atenção nas tecnologias sexuais. Falar das sexualidades femininas (ou masculinas) implica abrir o olhar para uma panóplia de práticas que incluem várias orientações sexuais e várias comunidades de práticas (Rogoff, 1985), que se entrecruzam, numa óptica de multitudes queer (Preciado, 2004).


João Manuel de Oliveira (1977) é investigador no Centro de Investigação e de Intervenção Social do ISCTE. É mestre em Psicologia Social e encontra-se a finalizar a sua tese de doutoramento na área da Psicologia Feminista.

A sua investigação tem sido centrada nos Estudos de Género e na Teoria Feminista.

Recentemente tem vindo a focar, nas suas publicações, as consequências do feminismo pós-estruturalista na epistemologia das ciências sociais.

Nos seus últimos trabalhos tem privilegiado a pesquisa sobre género, sexualidades e identidades, em estudos empíricos sobre lésbicas em Portugal, sobre a interrupção voluntária da gravidez e sobre as concepções do público sobre feminismo. Exerce funções de Investigador Associado na EIRA e Programador na Eira 33.

Publicações recentes (selecção)


Oliveira, J. M. (2008). Uma rede de textos: eu, investigador feminista, enquanto modo de “devir com”. Revista Diacrítica.


Oliveira, J. M. (2007) Ler a natureza é um acto sócio-cultural: ciência, género e feminismo na obra de Anne Fausto-Sterling. In Lígia Amâncio, Manuela Tavares, Teresa Joaquim & Teresa Sousa de Almeida (Orgas.). O Longo
Caminho das Mulheres: Feminismos 80 anos depois. Lisboa: D. Quixote


Oliveira, J. M. & Amâncio. L. (2006). Teorias feministas e representações sociais: desafios dos conhecimentos situados para a psicologia social. Revista de Estudos Feministas, 14 (3): 597-615.


Amâncio, L. & Oliveira, J.M. (2006). Genre et démocratie. Le regard des représentations sociales. In Alexandre Dorna & José Manuel Sabucedo (org.) Études et chantiers de Psychologie Politique. Paris: L’Harmattan.


Amâncio, L. & Oliveira, J.M. (2006) . Men as individuals, women as a sexed category. Implications of symbolic asymmetry for feminist practice and feminist psychology. Feminism & Psychology, 16: 35-43.

Conferência

As Regras da Atracção - Culturgest
Comissário: Rui Trindade

O propósito central desta conferência é o de equacionar as múltiplas variáveis que hoje afectam o domínio das relações nas sociedades avançadas contemporâneas.
Num tempo em que os interditos sexuais parecem ter-se desagregado, permitindo todo o tipo de conjugações, em que os géneros reclamam para si estatutos específicos e as sociedades, de um modo geral, incorporaram nas suas estratégias colectivas atitudes e comportamentos que de periféricos – num passado recente – migraram para o mainstream cultural de forma ostensiva e permanente, importa interrogar, de forma aberta, transversal e descomprometida as razões de tal evolução.
No entanto, dado o conjunto de variáveis em jogo, muitas vezes aparentemente contraditórias entre si, o propósito desta conferência só pode ser o de tentar fazer um ponto da situação, acolhendo olhares diversos sobre o tema, a partir de uma premissa: trata-se de reflectir, com base nos conhecimentos mais recentes, sobre os comportamentos contemporâneos ligados aos afectos, às emoções, à sexualidade, às relações.
Se é certo que a liberdade amorosa parece hoje um dado adquirido nas nossas sociedades, a verdade é que estas, cada vez mais altamente voláteis na sua vertigem de mudança, alteraram para sempre a consciência do tempo e, sobretudo, o da antiga e codificada longa duração relacional. Alimentando sem cesso o culto da sedução e do narcisismo individual, estas sociedades fragmentaram sentimentos e afectos, redesenharam contextos familiares novos e criaram, de certa forma, também, paradoxalmente, a figura do desamparo naqueles que, perdidas as sólidas referências dos valores instituídos, se vêm hoje constrangidos a «construir a sua própria narrativa», como escreve Alain Ehrenberg em La Fatigue d’ Être Soi. Ora nem todos conseguem re-inventar-se ou projectar-se numa nova narrativa, colapsando emocionalmente numa deriva sem fim, em busca de uma re-ligação afectiva, erótica e sentimental.

Rui Trindade

Mais informações na página da Culturgest

QUInta 13 NOvembro
Sessão 1 O Sexo na Cidade
10h00 – 11h00 Fiona Attwood, Universidade Sheffield (UK)
11h30 – 13h00 Rachel Herz, Universidade Brown (EUA)
Sessão 2 Novas Atracções
15h00 – 16h00 Ana Carvalheira, ISPA (Portugal)
16h30 – 18h00 Bernardo Coelho, ISCTE (Portugal)

SExta 14 NOVembro
Sessão 3 Emoções e Afectos
10h00 – 11h00 Stuart Walton, Ensaísta (UK)
11h30 – 13h00 Anália Torres, ISCTE (Portugal)
Sessão 4 Sex Toys
15h00 – 16h00 João Oliveira, ISCTE (Portugal) / EIRA
16h30 – 18h00 Baptiste Coulmont, Université Paris 8 (França)

Quarta-feira, Outubro 15, 2008

Género e casamento entre pessoas do mesmo sexo

Tenho estado relativamente silencioso em relação a esta questão, por afazeres profissionais inadiáveis. Agora que é possível respirar, não é tarde para pensar nas consequências desta questão sobre as ideologias de género, que tão bem se dão neste clima português.
Em primeiro lugar, esta discussão tornou evidente a velha clivagem que encontramos nos estudos de género entre os valores pré-modernos e os da modernidade tardia e que se repercutiram quer na questão do aborto, quer na questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Tornou-se muito claro, o modo como o sistema de género ancora muito directamente na heterossexualidade hegemónica, o que torna indefensável para qualquer estudo sobre as questões de género em Portugal, não incluir esta reflexão sobre a interdependência entre a ordem de género tradicional e a manutenção da heterossexualidade como matriz do sistema, sob pena de irrelevância conceptual.

É evidente que vamos entrar num compasso de espera e que a questão não se adivinha de fácil resolução. Mais uma vez o PS demonstrou a sua ambivalência em relação a estas questões, como tinha feito em 1998, no primeiro referendo. Trata-se portanto de sacrificar os superiores interesses da igualdade (previstos na Constituição) a uma lógica táctica, mas suponho que também de alianças internas dentro do partido (vide referendo de 1998). É sobretudo relevante porque o PS vem legitimar a crença no atraso do país, quando deveria estar a combater esse atraso (creio que um dos seus objectivos de programa de governo... )

Curiosamente, a discussão tornou clara a questão da importância da democratização das relações afectivas, o que é confirmada por uma sondagem de opinião, com um número por volta dos 40% de concordância com o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

O sinal negativo que é dado à democratização das relações sociais de género é muito grave, a meu ver. Espero que a comunidade científica da área comece a produzir mais conhecimento sobre a questão e que tal conhecimento venha a ser utilizado para pensar a questão de um modo mais abrangente por parte d@s decisor@s políticos.

Assumindo aqui uma perspectiva de investigador, devo dizer que me estimularam sobremaneira os argumentos da animalização, usados cretina e abundantemente. Igualmente, os argumentos de "podem fazer tudo, desde que tenha outro nome... nem que seja VRRNHEC" são inevitavelmente uma bela caracterização da ambivalência de valores neste país. Por isso, é mesmo pegar nisto e estudar. Para claro, contribuir para mudar mais uma decisão que envergonha não só quem a tomou, mas todo o país e a democracia.

Agenda

E amanhã...

Judith Butler!

baratas...

“Ser humano não deveria ser um ideal para o homem que é fatalmente humano. Ser humano tem que ser o modo como eu, coisa viva, obedecendo por liberdade ao caminho do que é vivo, sou humana. E não preciso cuidar sequer de minha alma, ela cuidará fatalmente de mim, e não tenho que fazer para mim mesma uma alma: tenho apenas que escolher viver. Somos livres e este é o inferno. Mas há tantas baratas que parece uma prece.” (A Paixão segundo G.H.)

para a Cuscável... nestes dias, a Lispector tem sido iluminadora, e se gostas...

Segunda-feira, Outubro 13, 2008

aforismos

"Liberdade é pouco. O que eu quero ainda não tem um nome."
Clarice Lispector, Perto de um Coração Selvagem

Quarta-feira, Outubro 01, 2008

heterocracia....

Não creio que haja alguma razão lícita para não propor a igualdade no casamento, extensível a todos os cidadãos, maiores, independentemente do sexo do parceiro. Se aceitamos a democracia, deveríamos fazer o possível para a estender a tod@s. Manter uma lei discriminatória corresponde apenas a não cumprir o desígnio constitucional da igualdade. Esta atitude empobrece o país e a vida e inteligência das pessoas. Assistir, ainda que de longe, a argumentos que variam desde a animalia, passando pela família que se encontra ameaçada (não percebo nem nunca percebi como o objectivo de passar a ter mais familias, pode ameaçar alguém ou alguma coisa...), até ao moderadissimo (mas aviltante): tudo bem, mas com outro nome... é transformar a cidadania numa coisa que é só para alguns/mas e não para tod@s.

Se a ideia é existir um privilégio heterossexual, então por favor, cobrem menos impostos a quem não se declare como tal, já que não usufruimos dos mesmos direitos. Se a ideia é que tal situação persista, num quadro democrático, deixemos de lhe chamar democracia. Heterocracia poderia ser o nome. Um regime de heterossexuais para heterossexuais. Democracia penso ser outra coisa. Onde não se tem ouvir que se uma pessoa se quiser casar com uma pessoa do mesmo sexo é um bicho, ou uma ameaça, ou casar não, outro nome sim... A melhor justificação é a do PS... não estava no programa! Nós também não...

Sábado, Setembro 06, 2008

opposite ideologies, ginecological twins

Domingo, Agosto 31, 2008

no way

A nomeação de uma mulher no ticket republicano à presidência liderado por McCain é um dado curioso. Um estratégia clara de tentar apanhar os votos das mulheres descontentes com a ausência de Hillary Clinton do ticket democrata. Contudo, Sarah Palin nada tem que ver com as propostas de Hillary. Fortemente conservadora, opõe-se nomeadamente à escolha das mulheres na questão do aborto.



Declarações da própria “It was rightly noted in Denver this week that Hillary left 18 million cracks in the highest, hardest glass ceiling in America, but it turns out the women of America aren’t finished yet and we can shatter that glass ceiling once and for all,” she said.

O uso e abuso de uma linguagem feminista para promover valores anti-feministas é sempre uma coisa que dá uma certa impressão. Vir esta senhora dizer que vai destruir o glass ceiling e continuar o trabalho de Clinton é uma agonia.

Mais, esta escolha de Palin mostra que para McCain é igual, ele quer é ter os votos das mulheres, que na cabeça dele, votariam em qualquer mulher, não importa qual. O que é particularmente ofensivo para as mulheres. Trata-se pois de usar esta mulher como um token, um símbolo de um grupo. Alguém que é usado apenas para representar um grupo. Se ele - Obama- é negro, nós teremos uma mulher. E isso seria suficiente para obter os votos das mulheres...

Contudo no brilhante discurso que fez na Convenção Democrática, Clinton responde muito bem a isto: "No way. No how. No McCain." É tudo.

Quinta-feira, Agosto 21, 2008

Para quê?

Portugal é segundo país europeu com maior diferença salarial entre sexos, com os homens a ganharem 25,4 por cento mais que as mulheres, contra uma média europeia de 15,9 por cento, foi hoje divulgado.

Sim, mas como dizem os comentadores e cronistas, feminismo para quê se tudo está conquistado?

Sábado, Julho 12, 2008

sic transit...

No Liberátion de hoje, um interessante texto de Siri Hustvedt, sobre o perigo do anti-intelectualismo nas eleições americanas. Como ela diz, o facto de Gore e Kerry serem pessoas com uma excelente formação académica e com alguma sofisticação intelectual ter sido uma fraqueza face a um imbecil como Bush. Este fenómeno anti-elitista na sociedade americana (nação fundada por iluministas) poderá prejudicar igualmente Obama. Veja-se como a fortuna pessoal não prejudica a eleição, mas sim a pessoa possuir qualificações intelectuais. Diz ela: "Bush - branco, rico, membro de uma dinastia política, e na melhor das hipóteses um estudante medíocre- não é considerado como elitista, ao passo que Obama - negro, sem grande fortuna pessoal, que frequentou as melhores escolas, com os melhores resultados - deve defender-se." Dessa suposta acusação de elitismo. Ou seja, antes um ignorante rico do que alguém intelectualmente desafiante.

Mais uma prova que a teoria da Rosa Montero sobre a generalização da imbecilidade e que eu subscrevo, descreve bem o grau em que nos encontramos. Sobre o texto de Siri, acho curioso como ela ataca a imprensa por esta paixão por uns bons rapazes como Bush e McCain e como subscrevem tanto desprezo pela faculdade de pensar. Até faz pensar nos jornais portugueses...

** Siri Hustvedt é professora de literatura e escritora, credenciais hoje em dia contestadas pela imbecilidade hegemónica.

no news

In Paris, no news fom Portugal. Good!

So, Antony for your delight... Hercules and the love affair featuring Antony... in "blind".

Domingo, Julho 06, 2008

Queixa-te


Se já se sentiu discriminado/a ou presenciou alguma situação de discriminação relacionada com orientação sexual e identidade de género, num estabelecimento de saúde, vá ao Observatório da homofobia e transfobia na saúde dos Médicos Pela Escolha. E queixe-se.

Sábado, Julho 05, 2008

cultura e financiamentos do estado

Incomodam-me sobremaneira os argumentos esgrimidos contra os financiamentos do Estado para a Cultura. É curioso como essa argumentação subalterniza a produção cultural e a criação artística face a todas as outras áreas de actividade. Veja-se que o Estado investe e em valores muito mais elevados, em áreas como a educação, a ciência, a agricultura, as pescas, até tem benefícios fiscais para empresas, etc, etc. Porque carga d'água é que o Governo não haveria de investir na cultura? Quais as razões ponderosas que levam com que as pessoas se oponham a isto, num país, que em muitas parte ainda é um deserto cultural? Onde ainda existe uma maioria da população que não viu, não lê, não acompanha nada do que sejam actividades culturais?

No âmbito da criação contemporânea, fatia menor dos orçamentos para a cultura, o caso é ainda muito mais grave. Sem apoios do Estado, veríamos o quê? Pina Bausch todo o ano (que curiosamente, não é totalmente paga com o dinheiro dos bilhetes que vende em Portugal)? Nem isso. Viveriamos numa cidade diferente de todas as capitais europeias, onde só existiriam as produtoras de teatro comercial e não haveria cinema português, dança (de qualquer genre), teatro diferente dos modelos La Féria, etc etc. Por isso, caros e caras que põem em causa os financiamentos do Estado à Cultura, a vossa posição corresponde a um país que nem imaginaríamos possível ou viável. Em que apenas a mediocridade massificada seria vista. Onde não existiria experimentação artística, nem inovação na criação. E principalmente, um país sem artistas.

A propósito de actividades financiadas, começa brevemente o Citemor, festival de criação contemporânea em Montemor o Velho, que me faz ir ao Centro do país uma vez por ano. A mim e a muit@s. É financiado pelo Estado? É sim, senhor. Tem lançado nov@s artistas e apresentado congrad@s e tem permitido trazer arte e criação contemporânea para uma cidade pequena no interior do país. Precisavamos de mais uns 15 citemor's para ver se este país ia para a frente. Uma proposta a quem é contra os financiamentos do Estado para a criação artística: vão ao Citemor e vejam como esses fundos são aplicados. Experimentem.

Quarta-feira, Julho 02, 2008

notforgetnotforgive


Carlota Lagido dirige Tânia Carvalho e re-inventa notforgetnotforgive. Peça com óbvias leituras contestatárias dos sistemas de género. Mais informações aqui. no Museu Berardo. Entrada Livre. Dia 3 de Julho.

Terça-feira, Julho 01, 2008

Observatório homo/transfobia na saúde

Já conhecem o Observatório da homofobia/transfobia na saúde dos Médicos Pela Escolha (dos quais orgulhosamente faço parte - sem ser médico)?

Trata-se de um questionário que permite apoiar o andamento de processos de reclamação e queixas sobre a homo/transfobia no sistema de saúde português e que visa esclarecer utentes dos seus direitos. Por isso, visitem. E por favor, divulguem.

E especialmente se:

"Já foi discriminado/a num hospital ou num centro de saúde?

O seu médico/a pergunta-lhe se tem namorado quando o que tem é namorada?

Já escondeu algum problema de saúde por ser gay?

Insistem em chamar-lhe Manuel quando quer ser chamada Maria?

Sente confiança em falar da sua orientação sexual / identidade de género com um/a profissional de saúde?"

Façam ouvir o vosso descontentamento e a vossa voz. Nós estamos cá para vos ajudar a serem ouvidas/os.

fractura, fracturante, fracturada, fracturar

a lata das interpretações políticas dos jornais faz-me mesmo impressão. Então o que se lhes apraz dizer sobre igualdade de direitos é que isso é ser fracturante??? São mais de 200 anos de história da humanidade, do feminismo, do movimento negro, de todos os movimentos sociais que recusam a desigualdade deitados para a rua por comentários destes.

Como gosto do texto que escrevi para o blog da Marcha transcrevo-o para aqui como resposta:

Pessoas fracturantes?

Parece-me evidente o papel fundamental das manifestações LGBT e outras na conquista pela igualdade de direitos. Parece-me igualmente evidente o grau de discriminação que tod@s aquel@s em Portugal, vivem fora das normas de género e dos regimes heterossexuais. Vidas difíceis de serem vividas, sem condições de igualdade face a outr@s cidadãs/ãos. Pessoas “fracturantes”.

Vivemos num país que guardou para as mulheres preconceitos inaceitáveis, como provou a luta de mais de 30 anos, pelos direitos sexuais e reprodutivos. A legislação aprovada em decorrência do referendo mostrou que não é por aí que queremos continuar a ir. A democracia é de tod@s.

Infelizmente, continuam a existir pessoas a quem certos direitos fundamentais não são reconhecidos. Pessoas que não podem ver a sua relação reconhecida pela lei, em igualdade com outras relações, se assim o desejarem. Pessoas tratadas de forma inaceitável e desumana pela legislação e pela medicina, que guardam para el@s, obstáculos quase intransponíveis e processos que se arrastam anos. Pessoas que não podem chamar-se Antónia, porque diz no BI que, afinal, são António. Pessoas que não podem adoptar uma criança, apesar dos abundantes exemplos da institucionalização das crianças em Portugal, em situações lesivas dos seus direitos a terem uma família e uma educação. Pessoas que são excluídas da procriação medicamente assistida. Pessoas que são vítimas de preconceito, discriminação e de violência, por terem uma condição fracturante com as normas heterossexuais e sexistas. Enfim, uma multiplicidade de pessoas “fracturantes”.

Mas serão fracturantes as pessoas? Ou chegaremos a ser pessoas, com o sistema de discriminações múltiplas que as leis e as práticas sociais nos reservam?

Ou é fracturante o sistema que as considera fracturantes?

Queremos mesmo que estas pessoas (nós) continuem(os) a ser tratadas como não pessoas? Queremos viver num país que guarda para uns a condição de cidadãos e para outr@s, a situação de estrangeir@s, em liberdade condicionada? Ou numa democracia que trate tod@s como cidadãs/ãos de facto?

Participar na marcha pode ser um princípio de conversa, de reivindicação, de dizermos que estamos aqui. De dizermos que não queremos viver num país assim. Que queremos uma democracia para tod@s. Sem que nos trate como uma fractura.

Segunda-feira, Junho 30, 2008

80 anos depois

É sempre com muito orgulho que digo que sou feminista. Os serviços que o Feminismo prestou à democracia, chamando à atenção às pessoas ocultas, por detrás de um discurso hegemónico pela igualdade, que são pensadas e representadas como fora da democracia, por serem mulheres, gays, lésbicas, e todas as outras sub-categorias subalternizadas pelos sistemas heterossexistas de género, são claramente sinais do muito que o feminismo nos deu.


Saímos de um Congresso Feminista que desafiou as estruturas patriarcais. Que desestabilizou a convenção. Que colocou o feminismo na ordem do dia. Tivemos 80 anos sem um congresso. Esse Congresso terminou no sábado, mas as suas inquietações perduram. E continuam a mexer. Temos novas responsabilidades, novos compromissos. Todo esse trabalho vem aí e já está a ser feito.

Mas é preciso afirmar, tal como afirmamos o orgulho LGBT, o orgulho em ser Feministas. E esse orgulho, essa afirmação de coligação e aliança entre pessoas que afirmam querer mudar um mundo genderizado, é sem dúvida, uma marca importante na sociedade portuguesa.

Sou feminista e com ainda mais orgulho em sê-lo, depois deste Congresso.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Não, não são os Monty Python...

Como é que a imprensa dá espaço a um texto como o que foi hoje publicado no Público? Nem vou entrar na análise da argumentação sobre a nova lei do divórcio. Vou apenas relembrar o que ela disse o ano passado:
E hoje, diz assim:
Pressupostos:
- ele bebe e "sabe-se lá porquê", bate-lhe
- ela apresenta queixa não por não querer apanhar, mas para ele ter respeito
- ela até nem se importa de apanhar, porque é uma fase má
Perguntas:
a) que concepção de mulher está apresentada aqui?
b) Que concepção de si própria (mulher) tem Isilda Pegado?
c) Que motivo faz alguém dizer semelhantes coisas?
d) Quais os critérios editoriais que levam alguém a publicar semelhante texto?
Tudo perguntas para as quais não consigo ter resposta. Apenas uma e sob a forma de pergunta: como é que este texto saiu no Público e não no Inimigo Público?

Domingo, Junho 22, 2008

Fracturas?

Escrevi um texto para o blog da Marcha LGBT 2008. Sobre pessoas (nós) que não querem/(os) continuar a ser (des)consideradas/os como fracturas.

Sexta-feira, Junho 20, 2008

La Câncio strikes back

É favor ler este texto da Fernanda Câncio. And start to wake up and smell the coffee.
Cito o meu excerto favorito:

O número de países que consagrou já o casamento entre pessoas do mesmo sexo aumentou este mês, com a entrada da Noruega para um rol que inclui a Espanha, a Holanda, a Bélgica, o Canadá e a África do Sul (mais o Massachusetts e a Califórnia, nos EUA). Em Portugal, porém, o debate mal começou - e quando sucede, é comum ouvir argumentos tão elevados como “se se permitir o casamento entre homossexuais, porque não o casamento com animais?”.

É precisamente a última expressão que revela um argumento que é partilhado por várias/os autoras/es desta área do saber. Nomeadamente, Judith Butler - que se posiciona contra a própria instituição do casamento em geral. Mas cujos argumentos podem ajudar a entender aqui uma dimensão da humanidade. Esta comparação com os animais faz sentido, dentro de um quadro heterossexista. Quando se verifica a sobreposição, entre normas de género e matrizes heterossexuais, enquanto referente para o humano, evidencia-se que pessoas LGBT não contam como humanos, nessa definição. As mulheres idem idem.

Aceitar esta expressão, de que as pessoas não contam como humanos, e contam como uma outra coisa - animais, outr@s, "bare life", doentes, criminos@s - retira-os do rol de vidas víviveis. Tornam-se vidas não reconhecidas como tal, por um Estado e pelos concidadãos, que tentam invisibilizá-los ou até pior do que isso.

A "elevação" do argumento, muito bem posta pela Fernanda, só revela que quem diga semelhante disparate, está a tratar estas pessoas (nós) como descartáveis, fora do baralho da cidadania, fora do âmbito do acesso aos direitos. E isso numa democracia, é absolutamente inaceitável. O modo como mulheres, LGBT, minorias étnicas, etc, etc são tratad@s é um sinal da qualidade das democracias. O que quer dizer que a portuguesa fede, neste debate.

Terça-feira, Junho 17, 2008

machismo como imperialismo da imbecilidade

Vejam bem a que ponto chega essa imbecilidade imperialista chamada machismo. Neste excerto do Diário do Minho referido por este blog , diz uma provecta figura machista:

«Um homem nunca se deve entregar a uma mulher, o contrário é que é natural e, como também sabem, mesmo assim nem sempre resulta. O PSD escolheu uma mulher para nos governar e vai querer que votemos nela. Uma mulher a mandar nos homens e nos homens todos. Que perspectiva horrorosa, socorro, preferia o Eng.º Obama! As mulheres são muito ingratas, querem é o nosso voto e depois não nos ligam nenhuma. E falo com conhecimento de causa… Mas é preciso muito cuidado com as mulheres, sobretudo na política.» [Eduardo Tomás Alves] 11 de junho de 2008 -

não parecem aqueles textos machistas do sec. XIX para impedir as mulheres de votarem?

E isto é publicado numa República que tem como função fundamental do Estado a garantia da igualdade entre homens e mulheres?

Digo-vos se isto fosse sobre "raça", o jornal teria medo de publicar porque poderia ser acusado de racista e de xenofobo, mas como é como sobre mulheres... Reparem no entanto como o racismo lá está... Mas na perspectiva do "na falta de um branco", antes um negro que uma mulher...

Diz nas Novas Cartas Portuguesas - que andam a iluminar os meus dias:

"De lésbicas por isso nos chamarão, tendo nós de mulher deles apenas o corpo, não a vontade, o desgosto. Que de homens precisamos mas não destes." Creio que não há melhor resposta para isto.

Terça-feira, Junho 10, 2008

Ser português é...

...ser católico. é um dos resultados do estudo coordenado por José Sobral, do ICS (ver Público de hoje). Nas comparações internacionais, é dos resultados mais surpreendentes acerca das componentes da identidade nacional. Acho excelente. Se já me embaraçava às vezes de ter que dizer que sou português, em face do provincianismo e da pequenez de horizontes, agora descobri que não sou mesmo. Great! Não sendo católico, logo não se é português, para a maioria da população. Sabe bem ser estrangeiro, nesta equação. Deixemos os padres, mais a Senhora deles de Fátima, mais todo esse peso e cheiro a armário com naftalina. Eles sim são os portugueses, urram pela selecção e depois missa ao domingo para fortalecer a identidade nacional.

Hoje é o dia da raça!

Cavaco dixit. já agora podiam mudar o nome do feriado para Dia de Portugal, uno e indiviso do Minho a Timor... Tratar-se-à seguramente de uma gaffe, mas é uma daquelas gaffes perigosas, discriminatórias, reaccionárias... é isto o presidente que temos.

Terça-feira, Maio 27, 2008

"Once I wanted to be the greatest...




Este ano tenho tido muita sorte nos concertos. Nick Cave foi extraordinário, a Cat Power ontem, foi para lá... foi desconcertante. E ficar a 3 filas do palco, praticamente no colo da Chan. Fabulosa, as mudanças que ela faz na música em album e na música ao vivo.

O desconforto dela, ao mesmo tempo a sua entrega, cria um espectáculo deslumbrante. E mais... não deu encores, o que eu acho óptimo. Os encores é assim uma falsa cedência, porque está tudo mais que preparado. A Chan ficou mais de 15 minutos a agradecer as palmas, sem encores.

A próxima será a Bjork no sudoeste. Tive a grande tristeza de não ter ido ver os meus Portishead, que têm um novo album que acho maravilhoso. Este ano há concerto a mais e dinheiro para ir a tudo, népia.

Domingo, Maio 25, 2008

machismos2

Ao ler o texto da Ana Matos Pires, mais uma vez, fiquei com a mesma sensação de ontem: com uma sensação de me sentir incrédulo com a permissividade generalizada em relação ao machismo. Então não é que um certo sociólogo que escreve no DN afirma:

Não há nenhum motivo para tratar as mulheres ao volante como débeis mentais e cobri-las de medidas paternalistas e humilhantes. Essas ficam reservadas para as mulheres na política, as quais, conforme as quotas e o próprio BE justamente admitem, são uns casos perdidos de subalternização e incapacidade.

Por miúdos: o sistema de quotas é uma medida temporária, que visa corrigir a discriminação sexual, preferindo as pessoas do sexo sub-respresentado, quando em face de duas candidaturas, elas apresentam o mesmo mérito. Para além de pouco informado, apodar de incapazes e subalternas, as mulheres dos partidos que têm este sistema implementado, deve constituir um insulto grave. O PS dispõe de um sistema de quotas de 1/3 se não estou em erro. Estará o sociólogo a considerar todas as deputadas do Partido Socialista, incapazes e subalternas?

Reparem como ninguém obsta à existência de quotas para as regiões consagradas na própria lei eleitoral. E como também ninguém coloca problemas à existência de quotas ideológicas por cada partido. Claro que não, trata-se da diversidade interna. Mas ter lá mulheres, é que é o problema. Trata-se portanto, de mais um exemplo de machismo, como os tristes exemplos que temos vindo a ter na esfera pública portuguesa, nos últimos tempos. O cómico é que em Portugal, não se acha isto machista, porque até fica bem bater na lei das quotas. A pré-modernidade disto tudo é constrangedora.